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Tu importas

Tu importas

31
Jan20

Gosto

Rute Borges

Gosto de limpar... Não a casa... A vida, a mente... Passamos anos a acumular, a juntar tudo o que nos vamos cruzando e muitas pessoas se esquecem de limpar, de arrumar em gavetas, de encher sacos de lixo, em doar o que já não nos cabe... Talvez seja porque tenho pouco espaço que o sempre fiz, preciso de espaço para coisas novas, bonitas, luminosas... E quando temos a nossa "casa" demasiado suja não há mais espaço para receber o que de belo nos vamos cruzando... Não há lugar para perceber o que temos dentro, tal é a confusão... Gosto da "fascina" mental, faz-me sentir inteira, faz encontrar maravilhas perdidas e criar espaço e tempo para o que a vida nos mostra quando estamos limpos... Não é uma questão de final de ano, são finais de ciclo que vamos com o tempo aprendendo a fazer... Há momentos que temos de parar e olhar bem para dentro e resolver o que queremos guardar, carregar, preencher... Acho que é algo que me tornei expert... Uau... Está na hora da próxima... E há tanto para limpar... Foi um ciclo rico de aprendizagem... E de tanto que entrou tenho muito que quero guardar naquele lugar especial, outro tanto que vou doar e muito que não se doa a ninguém... Talvez só mesmo para a reciclagem... Quem sabe não dará um candeeiro ou um cobertor no final. Gosto de isto em mim, porra!

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30
Jan20

O que andamos a fazer?

Rute Borges

Estamos a criar seres humanos que não são ensinados a escolher e depois querem que quando são adultos sejam seres humanos felizes e de sucesso e ainda por cima escolham?!? Estamos a criar robots, seres que não precisam de se mexer, nem pensar, nem querer, nem escolher... está tudo feito para eles usarem e têm de usar daquela forma...Inventou-se uma coisa chamada modelo pedagógico, tipo cartilha e acredita-se nisso... Não há seres humanos iguais... não há tretas de modelos... não há cartilhas... Há pessoas... Temos crianças que se cansam se andam, crianças que se cansam se pensam!
Para que elas parem receita-se a tão famosa Ritalina...Com efeito comparável ao da cocaína, droga é receitada a crianças questionadoras e livres. Professora afirma: “podemos abortar projetos de mundo diferentes”. A criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like. Uma pediatra conhecida chega a dizer: corremos o risco de fazer um genocídio do futuro. Quem está sendo medicado são as crianças questionadoras, que não se submetem facilmente às regras, e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de mil anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes.
Sedentarismo físico e mental! Deixem a malta ser, pensar, escolher, procurar, inventar, descobrir, ser criança, tão simplesmente!

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29
Jan20

Enrolada

Rute Borges

Não sei se deveria confessar isto, pois talvez não aconteça com a maioria das pessoas... mas esta noite a vida chamou-me para conversar... Não gosto quando isto acontece pois sei que por alguma razão ela acha que ando a fazer algo com o qual ela não está muito satisfeita... Compreendo-a, eu própria por vezes também tenho vontade de a chamar para conversar, mas ela raramente está disponível para me ouvir, ou talvez seja eu que ainda não sei como me fazer ouvir... Mas eu acato sempre os seus pedidos, de escuta, nem sempre consigo entender todas as palavras ou sinais e acabo por grande parte das vezes fazer aquilo que temos mais prática, "ouvidos moucos"... Mas desta vez, consegui decifrar alguns dos pequenos grandes argumentos que ela a todo o custo e calma me tentou mostrar... confesso que apenas consegui adormecer já o sol espreitava... Ficou ainda muito por entender, mas acho que nos estamos a começar a entender... Podes-me chamar em breve novamente, para mais uma conversa quentinha?

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28
Jan20

Perda

Rute Borges

Em algum momento da vida temos de lidar com a perda, todos nós... normalmente não estamos preparados para o fazer e muitas das vezes seguimos caminhos errados para lidar com ela... sim, porque lidar é a palavra e o que acabamos por fazer é escondermos-nos dela, fingir que ela não aconteceu, que somos mais fortes que ela, sem nunca nos permitirmos olhar para ela nos olhos... essa é a única forma verdadeiramente consciente de a integrar em nós e nos possibilitar continuar a caminhar num passo equilibrado e humano.
Perdemos muito, tanto... amigos, família, sonhos... amores no fundo, que quando se perde, seja a vida que nos assalta, sejam escolhas, fazem cortes profundos... Uns adormecem, tomam comprimidos para não sentir, escondem a cabeça e levam na boca cada pedaço dessa perda e enterram... mas há ventos, tempestades, chuvas fortes e mais cedo ou mais tarde, o que morava escondido, está sentado ao nosso lado no sofá, lá em casa, naquele sitio seguro que deixa de o ser de um momento para o outro... Lidar com a perda pode ser complicado, mas dificil mesmo é não lidar, não nos emocionar, não chorar o que nos apetece, não nos permitirmos ir onde temos de ir para a sentir, a transformar para ela poder viver connosco em paz... como disse é complicado, mas é possível e nada há de mais salutar do que a viver intensamente para a resolver em nós. As nossas perdas nunca nos deixam, vivem sempre connosco, apenas temos de aprender a viver com elas, pois esse é o segredo... o amor nunca morre, nunca se vai embora, nunca se apaga, mas para isso não o podemos deixar partir (ou tentar mandá-lo embora). Se é amor é para sempre e torna essas perdas imortais, pois continuam a viver em nós, mas agora de uma forma terna e calma... em amor, pois só o amor é sentido como perda, o resto, são apenas arestas que se vão limando com a vida, aprendizagens, experiências... Gosto de acreditar que todos os dias o aprendo a fazer melhor, a viver com cada uma, a aceitar como parte daquilo que sou e com a enorme felicidade de a poder ter vivido e me ter ajudado a transformar naquilo que hoje sou.

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27
Jan20

Preciso

Rute Borges

Preciso de momentos em que a vida tenha vontade de ser vivida, mas vivida por dentro, como quem (re)nasce... em que se coloca em perspetiva o que se viveu e que se entende o tanto que ainda a vida chama para viver... para queimar, para deixar de pensar com as borboletas na cabeça e dar silêncio para ouvi-las no coração... sim, porque elas quando existem não se restringem à barriga, ela percorrem tudo e precisamos de tempo e calma para as sentir (ou não) em cada centímetro que as deixamos existir... a vida, aquela vivida a sério, só me faz sentido com elas, sem elas não há metamorfose e seremos sempre lagartas à espera... à espera não sei de quê... descobri que é esse som, do bater das asas, que me faz mover e sem ele, apenas oiço o rastejar... talvez por isso é que gosto tanto quando me sinto a voar... esses são os momentos que valem a pena (re)nascer...
Vamos voar?

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24
Jan20

Olhar

Rute Borges

Quando nos deparamos com alguém como nos guiamos? Como interpretamos os sinais que se escondem por detrás das palavras? Cada dia as pessoas se mascaram com palavras bonitas, com frases decoradas, relidas e ouvidas de outras bocas, porque sabem bem de ouvir, porque são aceites, porque fazem sentido a quem as ouve, porque encanta, seduz... São apenas palavras, as acções, as atitudes, essas só mais tarde se vão vendo, sentindo, descobrindo, vamos conhecendo as pessoas através delas, pois só essas representam algo palpável do que cada um é cada de SER a cada momento, nos bons, nos maus, nos difíceis... Pode levar meses, anos, até conhecermos realmente alguém, ou pode levar uma vida inteira e nunca temos a certeza de quem sinceramente o é... Então como vamos descodificando sinais? Cada um terá a sua técnica, melhor ou pior, mais fidedigna ou nem tanto... Para alguém observador ou não, pode treinar esses sinais. Como? Não há receitas, mas acredito que todo o nosso corpo as mostra, embora acredite que há duas partes que nos ajudam a descodificar melhor... Não sendo eu exemplo para ninguém, pois sou uma desconfiada por natureza, centro-me no sorriso e no espelho da alma, o olhar. Há muitos tipos de sorrisos, que se estivermos atentos dizem tanto, mostram muito do que no fundo habita. Mas o olhar esse é o mais fiel, aquele que mostra tudo, mostra ansiedade, respeito, amor, desejo, dúvida, mentira, honestidade, confiança, esperança, medo... Mesmo que espelhado lá no fundinho da alma, ele acaba iluminando o que somos por dentro. Passo horas a escutar e a perceber como o olhar se comporta... Se já me enganei, sim, muitas vezes, mas acredito que tudo não passa de um aperfeiçoamento da técnica que se esconde lá no fundo de um olhar.

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23
Jan20

Atleta da Própria Vida

Rute Borges

Muitos de vocês que se dão ao trabalho de me lerem pensarão porque raio está ela aqui a escrever sobre isto, quem pensa que é ela? Outros que me conhecem a outra profundidade perceberão... Há conceitos que nos são enfiados à força com os anos, quer por pais, educadores, professores, média, pares cheios de boas intenções que acabam por nos tornar seres mais frustrados, com autoestimas mais baixas e essencialmente com autoconceitos totalmente desajustados... Aqui, nos casos que falo não há bicho papão que pretenda esse objetivo final, apenas lutam por um altruísmo que quando saudável é fundamental... Sim, devemo-nos preocupar com os outros, sim devemos fazer mais pelos outros, sim devemos proteger os outros, sim devemos ajudar os outros a serem mais felizes... Tudo certíssimo, nada contra, até porque sempre foi e será o meu lema de vida, se não, talvez escolhesse outras profissões... Sempre fiz desse lema um princípio de vida, lá no topo da pirâmide que pretendia chegar... Depois há momentos em que há derrocadas, tsunamis, tremores de terra entre outros fatores naturais que te fazem estatelar, engolir pirolitos, girinos e sapos, dares cabeçadas e até fazeres alguns traumatismos cranianos... Podes ficar até um tempo em coma e é aí que ou és um atleta da vida ou te fodes e podes ficar confinado a uma cama num quarto de paredes feias e pouco arejado... Talvez tenhas a sorte, se não fores atleta, de encontrares um altruísta por aí, mas aviso-te que eles estão em vias de extinção, portanto normalmente fodes-te. Assim como resolver este problema criado por nós mesmos e as circunstâncias (não simpatizo com esta palavra)... Tornando-nos um atleta da nossa própria e eu disse própria vida, sem esquecer os outros, sem os deixar de respeitar, sem deixar de os olhar como camaradas de viagem, mas aprender a tornar-nos eficientes a cuidar de nós mesmos, preparando a nossa mente e físico para todos os fenómenos naturais... Pois há um período pós fenómeno que és só tu e tu e é aí que precisas do atleta.
Quem sou eu para estar para aqui a escrever algo que possivelmente não te darás ao trabalho de ler? Sou só uma pessoa que se esqueceu, não percebeu, ninguém lhe explicou, não teve tempo de perceber e embora em movimento constante se tornou numa sedentária da sua própria vida, mesmo nos meus tremores de terra, só o altruísmo persistia, pois só esse era atlético. Sou alguém que embora não tenha de passar a minha experiência a ninguém é-me intrínseco e hoje luto todos os dias para ser uma atleta da minha própria vida, mas a valer, não só de boca, pois isso é para os fracos.

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22
Jan20

Felicidade

Rute Borges

Sabem que mais? Sou mais feliz nos dias em que acordo sem despertador, seja lá fora noite ou dia, pouco importa... nesses dias em que a casa cheira a gente que permanece de coração cheio, em que se bebe café e se come pão a estalar, aquele estalar que a nossa infância nos habituou... sou mais feliz quando devagar fumo o meu cigarro e um sorriso vibra na lembrança do virar dos dias... sou mais feliz quando recordo imagens com vida... quando sozinha os sinto perto... quando me mando parar e colocar tudo em perspectiva para recuperar o fôlego, como se estivesse a tomar balanço... naqueles dias em que arrumo na gaveta sonhos e projectos e desenho outros, que o oxigénio trás de novo... cheira a pinheiros, daqueles que trepava para apanhar as pinhas e chegava a casa e a minha avó punha tintura de iodo e eu dizia que ardia... sou mais feliz naqueles dias que "rezo" que não terminem mais de tão bons que me causam arrepios... sou mais feliz quando descubro que há coisas e pessoas que me transformam e me tornam mais única... sou mais feliz quando acredito, quando me inspiro, quando sinto que calibro a minha bússola ao bater do meu coração... sou mais feliz quando dou valor a quem tem valor, a quem nos quer um bem de tão profundo... sou mais feliz quando cuido e quando sinto que alguém foi mais feliz porque nos cruzamos algures no tempo... sou mais feliz quando descomplico, quando vejo a vida com o olhar da menina que ainda habita em mim e que quero conservar para sempre... é difícil, são tantas as regras que nos impõem... mas repito todos os dias que não abro mão desses momentos felizes em que continuo a acreditar... há quem diga que sou criança, outros que vivo num mundo de fantasia... por vezes respondo, por vezes fico em silêncio... difícil explicar a quem não vê a vida pelos meus olhos que só assim me faz sentido... porque me esforço, porque quero, porque mereço... simples? Nada... tem dias que ser assim, se ouvem muitos ses, mas, nãos, cuidado, és louca... respondo talvez... mas para mim o amor, a vida só vale a pena se for de barriga cheia, onde os pés se entrelaçam, se entendem e fazem os dias assim... felizes... heart emoticon
Ah e sou mais feliz quando me apetece escrever... assim como hoje. Porque hoje é o dia mais feliz!

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20
Jan20

Vamos lá a isto...

Rute Borges

Saudades de escrever e deixar a minha pegada por um caminho novo, fresco e sem barreiras ou balizas, onde os pensamentos não se sintam enclausurados, se cruzem com os teus e os deles e que juntos se tranformem em pequenas goticulas que viajam com o vento e se misturem com a vida, a nossa.

Não prometo gargalhadas, não prometo pensamentos elaborados, prometo reflexões, as minhas, que me inquietam, que me transformam, que me fazem ser quem sou. 

Se quiseres entrar, sentar e conversar serás sempre bem-vindo.

O que é a vida sem uma boa conversa?

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